Quando eu tinha seis meses de nascida, meus pais se separaram e meu pai desapareceu de nossas vidas.

Minha mãe precisava trabalhar, foi morar em outro local que ficava mais perto do trabalho e me deixou com uma tia que era casada.

Minha mãe vinha todos os finais de semana e, aparentemente, tudo estava bem, porem minha tia era uma mulher descontrolada e me batia por qualquer motivo.

Quando eu estava com seis anos, o marido dela passou a me molestar sexualmente e, quando ela descobriu, colocou a culpa toda em mim, mas nunca comentou com minha mãe.

Os dias se passaram, porém ela estava cada vez mais descontrolada e, quando eu estava com nove anos, me entregou para minha mãe que morava na casa de uma família e eu fui morar com eles. Lá também sofri abuso sexual por parte do dono da casa. Passei minha infância carregando a dor e um sentimento de culpa enorme.

Quando entrei na fase da adolescência e passei a entender que a culpa não era minha, fui tomada por dois sentimentos: o de vergonha e o de revolta, o sentimento de vergonha assim como o de culpa me fazia calar, nunca comentava o assunto com ninguém, esse era meu grande segredo; o sentimento de revolta me fez ficar com ódio da minha mãe e projetei nela toda minha raiva por conta dessa situação de não ter tido pai e por todo o mal que eu sofri.

Como cresci sem ter nenhuma referência masculina como pai, irmão ou até mesmo de avós o que eu conhecia de homens que passaram pela minha vida era de pedófilos e não de protetores, como de costume.

Passei a ter raiva dos homens, então eu não me envolvia emocionalmente, achava que podia usar e descartá-los como lixo, pobre ignorância a minha, pois ao invés de usá-los, quem acabou sendo usada fui eu, saia com um e com outro, não estava preocupada nem comigo mesma.

Um dia recebi um convite para ir a um lugar que mudaria toda esta triste história, Conheci alguém que era protetor, amigo, companheiro, e mais que tudo isso, que era Pai. Como eu almejava ter um pai, esse era meu maior sonho!

Conhecer a Deus foi maravilhoso, mas conhece-lo como Pai isso realmente fez a diferença. Nunca mais me senti sozinha, aprendi, através do poder restaurador de Deus, que as feridas da minha alma poderiam ser tratadas e, realmente foram.

Pude me libertar de todos os sentimentos (culpa, vergonha, ódio e tristeza profunda) que me escravizavam e me impediam de ser feliz.

Aprendi a perdoar por completo, pois o ódio, a mágoa e a falta de perdão são como veneno que agem dentro de nós enquanto esperamos que aquele que nos fez mal morra, mas somos nós que morremos lentamente.

Descobri um mundo cheio de cores, hoje eu e minha mãe somos super amigas e companheiras. Não odeio mais os homens, sou livre e agraciada por tantas bênçãos que tenho recebido nestes dezoito anos, desde que encontrei a Deus, que é o meu amado Pai.

-Autora Anónima