Um verdadeiro desafio! Assim podemos definir a 2ª caminhada “Rompendo o Silêncio”, promovida pelo Projeto Raabe e pelo grupo Godllywood, em Portugal e na Europa

Foi um verdadeiro desafio, porque a multidão de pessoas que estiveram presentes nesta iniciativa enfrentaram a chuva até ao fim do percurso e não se resignaram diante das circunstâncias. Vestidos de preto e com máscaras, representaram o luto da sociedade por tantas mulheres maltratadas e mortas e por tantas marcas difíceis de serem apagadas. Marchou-se em protesto contra a violência doméstica e familiar, tanto em Lisboa, como no Porto. Deu-se voz às vítimas deste flagelo, pois entende-se que lutar contra a violência doméstica e familiar é lutar por uma sociedade melhor! A mulher que rompe o silêncio ajuda não apenas a si mesma, mas aos seus filhos e a todos nós, direta ou indiretamente. O evento marcou, essencialmente, o início do Projeto Raabe em Portugal.

A abertura da palestra oficial foi da responsabilidade do grupo de dança Feel It, da Companhia de Dança Contemporânea de Sintra, que dançou de forma alusiva ao tema. Contou-se também com a participação da PSP, que falou do papel da polícia nestes casos e com o apoio da advogada Andreia Gonçalves Vilas, que falou sobre as leis que protegem a mulher e que muitas desconhecem. Escutou-se o depoimento de uma mulher que superou 20 anos de agressões e maus-tratos por parte do marido. As participantes receberam ferramentas úteis para dar início a uma nova caminhada: a que as levará à superação e à vitória definitivas. Já no Porto, teve lugar uma breve encenação por parte

da Força Jovem, denunciando os maus tratos conjugais. Foi dado início à Palestra, que contou ainda com a participação do Assistente Social André Fernandes, que elucidou os presentes quanto à participação do Estado no apoio a cada mulher violentada. Ainda foi apresentado um caso real, de sucesso, relatando 16 longos anos de sofrimento e agressões domésticas, provando, assim, que a possibilidade de livramento e felicidade, para quem se dispuser a acreditar, ainda não se extinguiu. A atenção era total e cada interveniente contribuiu para transmitir a força e a coragem a todas as vítimas, orientando-as não apenas a expressar a dor, mas, sobretudo, a levantarem-se contra a violência, rompendo a barreira de um silêncio, que talvez se prolongue há vários anos… A caminhada é um símbolo do que o Projeto Raabe pretende e tem vindo a fazer pelo mundo afora: Ajudando a transformar as vítimas em sobreviventes, mostrando que não estão sozinhas nessa batalha, que é de todas nós!