Por várias vezes, perguntava a Deus se existiam pessoas que vieram ao mundo só pra sofrer, porque desde criança minha vida foi cercada por muitos sofrimentos. Nos principais noticiários hoje em dia, são notórias as barbaridades que estão acontecendo com o ser humano. Fui uma vitima dos mesmos acontecimentos que hoje vejo na TV. Fui vitima de abuso sexual dos três aos nove anos, por uma pessoa de 80 anos. Eu não cheguei a perder minha virgindade, pois essa pessoa já era impotente, mas só de pensar que ele encostava seu genital, eu tinha nojo do meu corpinho. Morávamos em um sítio e nunca tinha visto uma revista pornográfica e nem imaginava que isto acontecia entre duas pessoas. Eu cresci um monstrinho, muito revoltada, nervosa e ninguém sabia o porquê. Meu pai não sabia que eu era molestada. Esse senhor era sogro da irmã de minha mãe, e avô de um dos meus irmãos, para mim era como se fosse também meu avô. Quando eu estava com ele sentia repugnância do que ele fazia comigo, mas quando eu estava só, começava a ter desejo por sexo. Isso com cinco anos de idade. Aos oito anos nos mudamos de cidade, também no triângulo mineiro e até os nove anos ele continuava com suas práticas, isso já em sua casa. Um dia minha avó levou-me para morar com ela antes que eu fosse violentada por algumas pessoas que frequentavam a casa da minha mãe, mas mal sabia ela que eu já estava sofrendo por esse abuso. Quando eu fiz treze anos, a minha avó foi morar com uma das filhas. Eu sofria agressão física dessa tia e me usavam como doméstica na casa. Ouvindo um programa de rádio da cidade de Brasília, soube que procuravam uma menina para trabalhar em casa de família como babá. Candidatei-me e fui. Só fiquei dois meses, eu era magérrima e não agüentava o peso da criança. Pedi que me levassem de volta para Minas. Antes desse emprego eu trabalhava na lavoura com meu pai colhendo café. Quando retornei, minha avó não tinha mais casa e fui morar com minha mãe. Ela estava recém amigada, eu e meu padrasto não nos dávamos bem, ao ponto de um querer matar o outro. Entre ele e mim, ela optou em ficar com ele. Novamente eu estava sem destino. Aos 14 anos o irmão de minha mãe foi passear em Minas e me convidou para passear na casa dele,em São Paulo. Não pensei duas vezes e, dentro de mim, eu dizia: nunca mais eu volto. Meu tio era alcoólatra, colocava sua esposa para fazer programas nas ruas para ganhar dinheiro para ele. Passou pela cabeça dele que eu era uma menina bonita e ia ganhar muito dinheiro na prostituição, ele me orientava a arrumar velhos cheios da grana para que quando eles morressem, eu ficasse rica. Mal sabia ele o trauma que eu tinha de homens, principalmente velhos. Aos 15 anos ele começou a pensar que eu era lésbica, ele tinha sexo com minha tia diante de mim, até no carro, quando estávamos viajando. Não conseguia despertar em mim desejos por sexo. Eu não namorava e os planos dele eram frustrados. Meu irmão mais velho também morava com ele. Um dia este irmão foi de viagem a Minas para alistamento no exército, meu tio se aproveitou desse momento e mandou minha tia ter relações comigo, pensando que eu gostava de mulher. Foi horrível quando ela se deitou comigo e começou a me beijar e passar as mãos sobre o meu corpo. Eu fiquei furiosa e me desprezei, e saí da cama chorando. E por não ter deixado com que ela fizesse nada comigo, ele começou a espancá-la. Ele lutava capoeira, imagina o que eu escutei os gritos da minha tia e eu não podia fazer nada. Por mais duas vezes ele tentou e acabei fugindo. Na terceira vez ele, pessoalmente, veio ter relações comigo. Eu morava no quarto andar, fiquei de costas para a janela e, se ele insistisse, eu prontamente ia me jogar. No bairro, ele tinha um amigo que tentou impedir, e ele acabou batendo nesse tal amigo. Minha tia entrou no quarto chorando, implorando para ele não fazer nada comigo, porque nos éramos sangue do mesmo sangue, e que ele só ia tocar em mim depois que ele a matasse. Ele insistiu muito para que ela saísse do quarto, quando viu que ela não desistia, ele deu um golpe de capoeira de um lado da cabeça e logo um ouvido começou a sangrar, outro golpe na altura do estômago e ela começou a por sangue pela boca. Ele a arrastou para o quatro e foi uma madrugada de violência. Aparentemente tudo parecia calmo, pois eles ficaram fechados no quarto, eu aproveitei para fugir. Fui pedir ajuda em uma pensão de uma amiga do meu tio, eu trabalhava próximo dessa casaem Vila Mariana. Meu irmão retornou de sua viagem e quis saber por que eu saí da casa do tio. Pressionada, eu disse o que tinha acontecido. Meu irmão queria matá-lo. Meu tio retornou para Minas, à casa da minha avó materna e contou a versão dele que eu o tinha assediado, passei a ser o demônio da família. Até a avozinha com quem eu morei, passou a ficar contra mim, acreditando na versão dele. Minha mãe e uma das irmãs de meu tio conheciam um pouco da lei de Deus, frequentavam o cenáculo há 30 anos. Elas disseram: Deus é juiz e advogado, um dia todos saberão se você está falando a verdade ou não. Saí de Minas envergonhada, humilhada, em crise de choro. Os vizinhos me ampararam e me deixaram na rodoviária para voltar a São Paulo. Não tinham um centavo. Sem dinheiro e sem destino, veio ao meu encontro um velho falando palavrões e querendo fazer sexo oral comigo, ia me dar dinheiro. Saí dali e fui a pé até à casa de um tio, contei para ele toda a verdade, foi quando ele acreditou e me deu a passagem de volta. Dois meses depois, a dona da pensão foi para Mato Grosso e meu tio ficou cuidando da pensão, eu fugi a pé, fui à casa de outro tio, e dez meses depois precisei fugir novamente. Fui morar com uma idosa de 83 anos que era cartomante. Quando os filhos descobriram minha idade, tive que arrumar outro lugar, pois os filhos não aceitaram. A cena se repetiu se mais uma vez e fui a um pensionato. Tinha umas 45 moças, a maioria garota de programa, só eu ainda era uma menina de família, atribulada, mas não tinha vícios. Devido aos maus tratos, à falta de higiene no sítio, fiquei com um problema ginecológico muito grave, fiz tratamento por 10 meses e por não ter tido sucesso, fui submetida a uma curetagem, aí perdi minha virgindade. O médico, que me assistia, me dava todas as medicações. Era um oriental muito bonito e acabamos nos envolvendo sentimentalmente, por excesso de carência. Tornei-me amante por seis anos. Desde os 15 anos tomava calmante. Depois que conheci o oriental, passei a fumar maconha e a cheirar cocaína. A droga dominava a mente, os pensamentos eram de tormentos, e foi quando abandonei as drogas e me aprofundei nos calmantes para suprir a ansiedade por falta delas. Ele montou um apartamento de boneca, me fez voltar a estudar e comecei a trabalhar no banco oriental Mitsubishi. Envolveu-se com agiotas para

manter-me e também a família, precisou mudar-se de São Paulo. Continuei trabalhando e buscando meios para mudar de vida e ajudar a manter meus irmãos que já moravam comigo. O japonês já tinha ido embora há seis meses. Conheci outro rapaz e meses depois engravidei. Ele não queria nada com nada, tinha um casinho em cada canto. Os últimos seis meses de gravidez, eu ficava mais no hospital que em casa, para não perder o bebê que era uma menina. André estava cada dia pior, era um super pai, mas não queria nada com a realidade de um casamento. Eu estava totalmente envolvida, pois o amava. Ele queria a mesma vida de solteiro: noitadas, mulheradas e muita bebedeira. Eu, cada dia mais depressiva, amava e não era amada, me apegava à filha para sobreviver, o ciúme me dominava, era um poço de perturbação. Tinha desejo de suicídio e fazia tentativas para matá-lo. Três anos de sofrimento conjugal e foi quando ele adoeceu, recebi um convite da minha ex-cartomante para fazer uma visita ao Cenáculo do Espírito Santo. Estava magérrima e desorientada, e quando vi meu marido vomitando e com tamanha cólica renal, foi quando localizei um programa na rádio São Paulo, e a partir daí comecei a escutá-lo.. Sem saber o que fazer para ajudar meu marido, pedi a Deus que o curasse e que, assim, eu iria a uma Igreja. Eu odiava crente, evangélicos e o milagre foi tão grande que hoje participo há 22 anos. Deus mudou toda a minha vida, libertou-me, curou-me, restaurou meu casamento. Sou uma mulher completa e sem nenhum trauma do passado. Tudo se fez novo. – Autora Anónima