O escocês James McCourt, de 20 anos, agrediu a esposa, Kelsie Skillen, de 19, pela primeira vez em maio deste ano. No mesmo mês, ele voltou a agredi-la várias outras vezes. Em uma dessas ocasiões, chegou a causar um corte no nariz da moça com socos.

No dia 5 de junho passado, James gritou, ameaçou e xingou Kelsie dentro de um táxi. Ao chegar em casa, ele a agrediu por um longo período.

Em meados de julho, ao perceber que Kelsie havia esquecido um maço de cigarro deles na casa noturna em que estavam, James tomou o celular dela e a prendeu no quarto. Ele a atacou com diversos golpes, mordeu, cuspiu e jogou água fervendo nela. A moça perdia e retomava a consciência sem que ele parasse a agressão. Kelsie contou ao jornal britânico Metro que achou que morreria ali:

“Ele me prendeu na casa por 4 horas. Em determinado momento perguntei se aquilo valeria a pena, se ele preferia ir para a cadeia. Ele disse que sim, pois o que importava era me ver morta.”

A salvação da moça veio quando ele precisou sair do quarto e ela conseguiu falar com a mãe usando um tablet que estava no local. A mãe chamou a polícia.

No final deste mês, James foi condenado a 21 meses de prisão, mais 8 meses de liberdade assistida, além de ficar proibido de entrar em contato com a agora ex-esposa por 5 anos.

Após o julgamento, Kelsie publicou em seu Facebook as fotos do dia seguinte às agressões de julho (que você pode ver ao lado), contando a sua história. Ela escreveu: “Eu nunca me perdoaria se não contasse às pessoas sobre isso e outra pobre garota acabasse na mesma situação que eu.”

O que fazer diante da agressão

O comportamento de James foi abusivo e repetitivo, assim como é o comportamento da maioria dos homens violentos. Quando Kelsie não reagiu diante das primeiras agressões, ele acreditou que a impunidade duraria para sempre.

No programa “The Love School – A Escola do Amor”, a apresentadora Cristiane Cardoso, afirmou que essa repetição de agressões acontece porque o homem não acredita que isso seja um problema.

“Ele já se acostumou”, explica ela. “Se você está casada com uma pessoa que não tem controle de si mesma, é sua responsabilidade fazer alguma coisa a respeito. Se você ficar esperando essa pessoa mudar, essa pessoa ter uma transformação na vida dela da noite para o dia para que ela nunca mais vá bater em você, então você ficará dependendo dela para ter segurança. Você vai estar sempre vulnerável nesse relacionamento. Na cabeça dele, ele pensa assim: ‘Eu posso bater porque ela vai continuar lá comigo.’

Para Renato Cardoso, também apresentador do programa, duas coisas devem ser feitas imediatamente: reportar a agressão à polícia e procurar um lugar seguro para ficar:

“Ele errou. Ele não tem controle. Ele tem que responder diante da Lei. Então você tem que reportar o ocorrido e buscar um lugar de segurança. Uma vez fazendo isso, ele vai ter que responder perante a Lei. Se ele se arrepender e quiser mudar e salvar esse relacionamento, ele vai ter que buscar ajuda. Vai ter que buscar tratamento para gerir os comportamentos agressivos dele. Buscar ajuda psicológica, emocional, espiritual, para que então ele possa se mostrar digno de uma nova chance.”

Se você está passando por uma situação semelhante à relatada no início desse texto ou conhece alguém que esteja, saiba que a Universal trabalha intensamente na defesa de mulheres que sofrem violência doméstica, por meio do grupo Raabe, que oferece apoio psicológico e jurídico às vítimas.