O Projecto Raabe reuniu-se novamente no passado dia 13 de Janeiro, em Lisboa e no Porto, para realizar o 2º Chá Dando continuidade ao seu objetivo de arrancar as mulheres que se encontram acorrentadas pelo sofrimento de terem vivido um passado, ou muitas delas ainda um presente, marcado por todo o tipo de abusos e violência. No Porto puderam contar com a presença da Advogada Fátima Lopes, que esclareceu várias questões sobre a parte jurídica dos seus casos e explicou como as mulheres devem proceder em relação aos mesmos. Enquanto que, em Lisboa, foi uma psicóloga que marcou presença – a Dr.ª Lídia, que se pronunciou acerca do valor da mulher. Os dois assuntos foram abordados em cada um dos locais, e segundo as mulheres presentes a palestra foi bem esclarecedora e ficaram cientes de quais são os seus direitos e também como encontrar esse valor perdido. As organizadoras puderam esclarecer que, mesmo estas senhoras ali presentes tendo passado por dificuldades e por traumas, elas têm o seu valor. Assim como uma nota que mesmo depois de amassada e pisada pelas pessoas, continua com o mesmo valor e por isso todos a querem, assim é a vida de uma mulher. Uma comparação que cada uma delas guardou com um carinho especial. A mulher mostra o seu valor quando ela investe nela própria. “Como é que eu posso investir em mim mesma?” – Pergunta feita por aquelas que estavam sedentas de possuir esse valor, o qual se foi perdendo com o tempo. Mas foram elas mesmas que chegaram à resposta dando cada uma a sua opinião: quando vão ao cabeleireiro, quando exercitam o seu corpo, quando tratam da sua beleza enfim quando se amam a elas mesmas. Mas o interior também precisa desse mesmo cuidado. As voluntárias do grupo tiveram então a oportunidade de falar sobre a mágoa, sentimento que muitas das mulheres que sofrem de abusos ou violência carregam. Além de ser um peso demasiado difícil de suportar, esse sentimento tem impedido que elas sejam felizes e tenham a força que precisam para seguir em frente. Muitas delas tentam se libertar da mágoa que as tem sufocado, porém a dor profunda que têm não lhes dá espaço para se soltarem das vivências bem presentes às quais têm estado aprisionadas. Assim como o lixo é varrido para a rua, pois ninguém o guarda dentro de casa; assim foi-lhes mostrado que elas têm que fazer o mesmo, com a mágoa. “A mágoa é como um copo de veneno que a pessoa toma querendo que a outra morra, porém isso nunca vai acontecer. É prejudicado aquele que tem esse sentimento” – explicou uma das colaboradoras no decorrer da tarde. Apenas nós temos o poder da decisão. E cada uma delas teve a oportunidade de tomar uma decisão, de arrancar aquela mágoa, orando pela pessoa em questão, nomeando o seu nome e determinando que a partir dali aquele sentimento não faria mais parte delas. Como um grito de socorro, fizeram uma oração a Deus para aquelas que desejavam ser livres e estivessem dispostas a perdoar, ainda que isso fosse o mais difícil. Muitas, mesmo estando com o coração apertado e aquela mágoa insistisse em permanecer nelas, assumiram a decisão de começar de novo, e usando a sua fé perdoaram e pediram por quem lhes fez mal. Atitude que requereu delas coragem mas que as fez ficar aliviadas e com paz dentro delas, enfim, sentiram-se livres. Ainda nesta oração, as mulheres que tomaram essa decisão foram abraçadas por cada colaboradora, representando o abraço de Deus, em como Ele as aceitava. “Havia brilho, sorrisos de alegria por uma alma limpa e tranquila” – afirmou uma das colaboradoras. No Porto, as participantes escreveram num papel algo que elas verdadeiramente queriam ver realizado, o qual ficou guardado numa caixinha preparada para esse

intuito. Essa caixinha ficará com as voluntárias, as quais vão se unir em oração para que esse pedido seja, não só visto, mas atendido por Deus. Uma tarde bem aproveitada em ambos os lugares, que ficou marcada para todas aquelas mulheres como o início de uma nova etapa das suas vidas. Uma etapa de realização, confiança e felicidade. Caso você seja vítima de qualquer tipo de abuso ou violência, conte com a nossa ajuda. O nosso próximo encontro será dia 17 de Fevereiro.

Em Lisboa: Alameda D. Afonso Henrique nº 35 No Porto: Rua de Egas Moniz, nº 485